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Carta 007

Procrastinei 123 minutos para escrever esse e-mail

O email planejado não estava bom o suficiente. Fiquei 123 minutos enrolando para mudar — abri caixa de entrada, mexi no WhatsApp, inventei tarefas. Esse aqui é o email que veio no lugar.

Nóias da cabeça

A senhorita já deve saber que eu estava de férias. Bem, estava — porque voltei para casa ontem. Inclusive tô deveras desolada que a temporada Mari praiana acabou. Essa viagem em especial foi difícil de despedir.

Hoje a gente tinha programado um email para vocês que falava sobre um tema que eu estudei há alguns anos: sobre como a biologia feminina pode influenciar nossas habilidades para identificar coisas que as pessoas precisam.

Só que não é esse email que planejamos que você vai ler hoje.

Esse email que tínhamos planejado foi escrito com base em um dos nossos episódios do Fluida Cast. Falar é uma coisa, escrever é outra. E na hora que a gente transformou o podcast em um trem escrito, eu fiquei incomodada.

Não gostei do resultado das minhas ideias no “papel”. Elas não comunicavam exatamente o que eu queria dizer e abriam (na minha visão) brechas para interpretações diferentes do que eu queria.

Li o email umas 98 vezes, tentei mexer num trecho, no outro, acrescentar um parágrafo. Continuei achando ruim.

Os pensamentos na cabeça eram:

“É só um email, já tá escrito, já tá programado, semana que vem você pode escrever outro.”

Ao mesmo tempo outra vozinha falava:

“Esse tema é importante para cacete, não vou mandar sem conseguir falar o que eu queria.”

Uma terceira ideia surgiu: “E se hoje a gente não mandar email e explicar para a mulherada que eu acabei de chegar de férias? Não tem nada demais ficar uma semaninha sem o email de sexta.”

A disputa mental se seguiu por looooongos minutos — nesse momento, exatos 123.

Nesse tempo eu comecei a procrastinar o danado do email. Abri minha caixa de entrada, mexi no WhatsApp, disse para mim mesma que ia responder dúvidas das alunas… os minutos passaram.


A verdade verdadeira era que o dilema era entre duas coisas muito valiosas para mim:

Competir comigo mesma e só falar o que eu acredito.

Quando eu lia o email, ainda me restavam dúvidas se o que estava escrito era claramente o que eu acreditava. Quando eu pensava em não mandar, eu quebraria uma competição interna comigo mesma de manter a constância nos nossos emails semanais.

Desde que começamos, eu SEMPRE aprendo, reflito ou fico feliz depois de escrever as cartas para vocês. Tem sido um espaço delicioso para me expressar de outro jeito que não o jeito rápido e por vezes raso que o Instagram “pede”.

Eu GOSTO de escrever aqui para vocês.

Mas eu tava com medo de mandar um email que não refletia o que eu acreditava. E com medo de quebrar uma sequência de semanas e semanas cumprindo com uma meta aqui na Fluida.

Era medo. Esse medo se mistura com insegurança e aí calha numa procrastinação que atrasa mais ainda o processo.


Mas a solução veio: “Por que eu não mudo o email e falo só a verdade?”

E eis aqui a verdade:

O planejamento às vezes não se cumpre. Eu enrolo para fazer tarefas. E também tenho receio de ser julgada pelas minhas ideias.

O email que você tá lendo é fruto da mistura de tudo isso.

Eu enrolo assim como você para fazer coisas que racionalmente eu sei fazer, mas às vezes dá uma bugada.

A lição de moral hoje NÃO É sobre “fazer o que precisa ser feito”. Deusas nos livrem disso hoje. Porque eu mesma não fiz — eu mudei a poha do email todo e tô escrevendo esse outro aqui para você.

Hoje é só para você saber que tudo que dá errado do seu lado, também dá errado do meu.

Alivia aí um pouco a sua barra quando você estiver nesse vórtex desgramado do “não tá bom o suficiente”.

Seremos acometidas desse mal para todo sempre.

O email planejado não deu bom. Tá indo esse aqui no lugar. Hoje é o que eu tô podendo contribuir.

Às vezes o suficiente já tá bom, né? Não precisa ser sempre o extraordinário.

Espero que seja útil para você o meu “suficiente” de hoje.

Beijos,

Mari Fernandes.

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