Carta 004
Empreendedoras Exaustas
Quando eu era consultora de produtividade, toda cliente que eu atendia parecia um replay da anterior. Inteligente, cheia de sonhos, sobrecarregada até o talo. Demorei um tempo para perceber o que elas tinham em comum.
Oi, maravilhosa!
Esse email de hoje tem 2 coisas para a gente conversar: a primeira é sobre o meu passado como empreendedora e a segunda é sobre o seu futuro como uma.
Para isso vamos voltar juntas alguns anos nessa história, lá por volta de 2010.
O primeiro negócio que eu tive foi uma escola de aulas particulares. Eu abri essa escola quando ainda estava na faculdade. Me formei, arrumei um emprego e comecei a acumular responsabilidades (e tarefas para dar conta).
Na minha cabecinha de 20 anos, fazia todo sentido trabalhar como CLT, tocar sozinha um negócio, malhar 5x na semana, manter a dieta em dia, cuidar do meu namoro que estava começando e fazer uns 2 hobbys novos por mês.
É óbvio que não cabia tudo isso. Mas naquela época eu achava que cabia.
No maior estilo “não sabendo que era impossível foi lá e achou que dava para fazer”, eu comecei a estudar loucamente sobre produtividade e gestão do tempo. O meu objetivo era só ME ajudar a equilibrar pratinhos.
Só que eu comecei a gostar MUITO desse rolê de produtividade. Fui fazendo cursos, certificações, consultorias… Quando me dei conta, tinha virado uma catequizadora da produtividade.
O assunto que era hobby virou produto. Fechei a escola de aulas particulares e abri uma consultoria de Produtividade. Eu dava palestras em empresas, cursos presenciais e consultorias individuais.
Só que um fenômeno muito curioso começou a acontecer: toda mulher que eu atendia parecia que eu estava vendo um replay da cliente anterior.
Elas eram MUITO iguais umas às outras:
- Inteligentes e estudiosas para cacete
- Queriam gerar impacto no mundo e tinham sonhos megalomaníacos
- Sobrecarregadas até o talo
- Exigentes com elas mesmas
- Tomadas de culpa toda vez que pensavam em desacelerar ou descansar
A pergunta que rondava na minha cabeça era: “por que raios todas as minhas clientes são tão iguais?”
A resposta estava estampada na minha própria fuça, mas eu só vi depois.
O traço em comum de TODAS elas: eram mulheres empreendedoras.
Hoje eu sei exatamente por que isso acontece.
Nós, mulheres, temos jornada dupla, tripla e até mesmo quádrupla de trabalho. Fomos treinadas a sentir que precisamos tomar conta da casa, da família, dos amigos, das pessoas ao nosso redor e, claro, das demandas do trabalho.
É coisa demais (e, muitas vezes, remuneração de menos).
Aí a gente pega esse combo perfeito de autoexploração e subvalorização e decide somar com mais uma pequena coisinha. Uma coisinha bem pequena mesma — um detalhezinho:
CRIAR UM NEGÓCIO sozinha.
Que tem que pagar nossos boletos. Ser absurdamente divertido. E mudar o mundo.
Tcharam! Está criado o combo perfeito da insanidade.
Isso se reflete na nossa cachola:
“Tenho a constante sensação de que estou esquecendo alguma coisa importante.”
“Botei tudo no Trello mas já não sei mais onde está cada coisa.”
“Tenho 98 tarefas para fazer — como não sei por qual começar, não começo nunca e ainda fico me culpando por isso.”
“Onde que eu salvei aquele documento no drive, meu deus?”
Esses cenários são ruins para o negócio. São ruins para o lucro. Mas sabe o que eu acho que é tão ruim quanto? É que quando chegamos nesse lugar, perdemos o PRAZER de executar o dia a dia do negócio.
E poha, a gente começou isso aqui justamente para transformar o que a gente GOSTA em trabalho. Se isso some, qual o motivo de continuar?
Mas a gente não QUER sumir dos nossos negócios. Queremos fazer o que precisa ser feito sem se estrupiar no caminho. Queremos descansar sem calcular mentalmente quanto dinheiro não estamos ganhando enquanto assistimos Netflix.
E para isso acontecer, a gente precisa mais do que motivação.
Precisamos de um SISTEMA que ponha ordem nesse caos e nos ajude a enxergar o que precisamos fazer agora e o que pode esperar mais um pouquinho.
Um sistema que foi criado por mulher, para mulher, entendendo as especificidades do nosso jeito de empreender.
Dá para crescer com fluidez. Dá para lucrar e desfrutar.
Beijos,
Mari.