Carta 064
Planilhas ansiolíticas
A história da mentorada que achava que o negócio estava de mal a pior — e descobriu uma margem de 40% em uma planilhazinha de nada, porque o nosso cérebro ansioso mente mais do que a gente imagina.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA.
Como você está hoje?
Bora já começar com o pé na porta com a nossa tradicional revisão semanal sobre troços e causos que estão acontecendo em dona Fluida?
(Vou imaginar a senhorita sacudindo a cabeça e dizendo BORA)
Pois muito que bem, por aqui terminamos nosso planejamento anual!!!
Palmas para nós.
Era para termos terminados uma semana antes da semana do Natal. Porém, por motivos de vírus maligno, tivemos que cancelar e postergar para depois da Imersão de Planejamento que fizemos para vocês planejarem o ano.
(Se alguma coisa rolou por aí e você também postergou fazer o seu planejamento, clica aqui pra entrar na nossa Imersão que a gravação já está lá disponível pra senhorita colocar a mão na massa sendo guiada por mim. Tu consegue fazer isso nesse final de semana tal qual nós fizemos ao vivo no final de semana passado)
Parênteses fechado, eu tava agoniada para concluir a nossa Imersão interna — e fizemos imersão mesmo, foram 4 dias intensos juntas somando umas 20 horas entre imersão com o time e planejamento dessa imersão com o time.
E, meu amô, que 20 horas bem gastas!
Nesse ano nós definimos uma frase norteadora do ano (num vou contar ela aqui para não estragar a mágica em torno de chegar nela), mas essa única frasezinha virou um farol no meu cérebro para tomar cada micro decisão que tenho que tomar todo dia.
Tô muito, muito feliz de termos concluído o nosso planejamento do ano e mais ainda orgulhosa do que fizemos em 2023.
Ainda no tópico de planejamento do ano e imersões, eu também passei mais umas 16 horas no Zoom ao vivo com a mulherada da Imersão de Planejamento do Ano no final de semana passada e pude ler cada planejamento do ano que dá vontade de abraçar vocês pela tela.
(Affeee, essa parte do meu trabalho podia se chamar brownie de tão gostosinha)
E, por último, decidi que depois de 3 anos trabalhando no escritório em casa, eu quero voltar a trabalhar presencialmente
— como faziam os maias.
Eu que tanto agradeci vários dias por trabalhar deitada de pijama e meias de gosto duvidoso, agora tô achando uma maravilha divina de meu Deus sair com as minhas trocentas mochilas, lancheiras e sacolas com todas a minhas comidinhas, roupa para tomar banho, roupa de yoga.. tudo no carro para “ir” para o trabalho.
Tô achando mais maravideuso ainda “sair ” do trabalho que é um conceito completamente abstrato para quem o trabalho mora na sua própria cabeça 😅
(sim eu penso MUITO em vocês, penso tanto que até o boy sabe da vida das senhoritas).
Como boa empresárias que sou, eu quero trabalhar fora de casa, mas quero TAMBÉM PODER trabalhar em casa,
então eu to indo 3x por semana no escritório e os outros dias trabalhando de casa (Fluidas de Brasília que quiserem conhecer onde estamos, me avisem que eu conto. Sequestradores que me pedirem a localização, eu não vou responder).
Aproveitando o flow que estou nessa escrita, vou contar outro trem que nem era pra ser assunto dessa carta, mas nesse troço de ir para o escritório me fez perceber coisas interessantes sobre a minha pessoa e a minha rotina.
O simples fato de eu saber que vou passar o dia todo fora de casa no dia seguinte, obriga meu cérebro a pensar em tudo que eu tenho que fazer no dia seguinte e já deixar tudo organizado: mochila, lancheira, roupa do treino, notebook, câmera… só que
essa organização “externa” tem contribuído enormemente para a ordenação interna
dos meus miolos.
No dia que eu vou trabalhar fora de casa, meu dia já está tão planejadinho passo a passo que eu “fluo” melhor na rotina do que nos dias que to em casa e, teoricamente, não tenho que planejar um tanto de coisas porque elas estarão a alguns passos da minha pessoa.
(Como você pode ver, planejamento num é um trem que eu falo porque gosto, eu falo porque eu sou deveras obcecada mesmo)
Inclusive, minha psicóloga, coitada, trava enormes batalhas com o meu cérebro para me treinar que eu não posso resolver todos os problemas do mundo só com planejamento (bem que eu queria rsrs), mas isso também é assunto para a outra carta.
Voltemos, qual é o tema da carta de hoje?
Essa é uma pergunta relevantíssima que eu quase nunca consigo responder sem antes chegar ao final da carta.
Nunca consigo resumir o tema da carta em “como fazer um planejamento estratégico”, na minha cabeça sempre vem algo como “por que raios nós mulheres achamos tão difícil pensar em planos de longo prazo e por que o tipo de calcinha que você usa tem tudo a ver com isso?”
Sigamos, acho que o tema da carta de hoje é:
O poder ansiolítico de uma planilha de excel
Falemos sobre isso…
Essa semana eu atendi uma ex mentorada da Vênus, ela foi mentorada lá em 2022. Depois não renovou o próximo ciclo da Vênus, casou, alugou sala comercial, reformou a sala, mudou de casa, teve lua de mel… enfim foi um ano agitado para a vida pessoal dela.
Eis que ela me procura de novo dizendo que tinha perdido a mão, saído dos trilhos, as planilhas estavam desatualizadas e ela estava deveras desesperada porque tinha consumido as reservas que acumulamos — consumiu com o negócio no casório, mudança de casa e construção do escritório novo.
Pois muito que bem, eis que eu começo com as minhas clássicas perguntas:
— Quanto tá o seu custo eu?
— Quantos clientes vc tá atendendo hoje?
— Qual ticket médio de cada um?
Pergunta vai, resposta vem, eu começo a fazer contas com os dados
que ela tá me trazendo.
Veja: ela estava desesperada, angustiada e meio borocoxô porque, na visão dela, o negócio tava bem capenga e estava assim porque ela era meio ruim de vendas, marketing e “essas coisas ai” (palavras dela 😂).
OBS já aqui no meio do e-mail: eu num vou falar o nicho dessa ex mentorada para manter a privacidade dela, mas se você trabalha com gente, é das humanas, tem uma escuta empática maravilhosa, você vai entender a dor de uma pessoa que tem que aprender a lidar com coisas sem emoção como “vendas”. Sinta a dor nessas palavras.
Eu continuei fazendo minhas contas e uma verdade muito surpreendente começa a ser revelada diante de meus olhos
(imagina uma cena dramática com meia luz onde um véu branco começa a ser levantado dos meus olhos):
O negócio dela não estava NADA CAPENGA.
TODOS os números que ela me dizia me mostravam que ela estava com uma margem de 40% (QUARENTA FUCKING POR CENTO!).
Ou seja, a cada 10k que ela fazia, 4k tava sobrando limpinho na empresa.
Agora cresça isso para 20k, 50k, 100k… pois então, 40% de margem é um troço LINDO MARAVILHOSO, PERFEITO E PRECIOSO.
Só tínhamos um problema:
ELA NÃO SABIA DISSO.
Na cachola dela, o negócio estava de mal a pior.
Tão de mal a pior que ela estava doida para voltar para a Vênus após o ano do casório, mas tinha certeza absoluta que não tinha a menor capacidade do negócio dela fazer um investimento novo sem ir para o beleléu.
E sabe por que ela num sabia?
Porque estava faltando pra ela um troçinho, o rivotril das empresárias, o maracujin das CEOs, a melatonina das dona de CNPJ:
PLANILHA.
Sim, uma ridícula combinação de linhas verticais e horizontais era tudo que ela precisava para sair do cenário caótico e desesperador da empresária recém-casada que viveu o casamento como se não houvesse amanha (mas, houve) para a empresária que viveu o casamento como se não houvesse amanha (mas, houve e ainda sim tudo estava sob controle).
Eu abri uma planilha bem xinfrim na frente dela, coloquei lá os custos fixos da empresa, coloquei as receitas dos clientes previstas, coloquei os custos mensais dela, botei uns ”+”, uns ”=”, uns “x” e, em alguns minutinhos, estava lá escancarada a realidade na fuça dela:
TEU NEGÓCIO TÁ BEM DEMAIS E TU NEM SABIA.
Você precisava ver a mistura de espanto e alívio que tomou as feições da dita cuja.
Por um lado, o cérebro estava se refestelando em segurança e calmaria.
Por outro, o mesmo cérebro estava se sentindo um belo trouxa de ter passado tantos meses ansioso e preocupado com uma realidade que NEM EXISTIA.
Sim, maravilhosas, nós empresárias trabalhamos com a REALIDADE (ou pelo menos devíamos, né).
Mas, nós temos um cérebro que evoluiu para nos proteger de coisas horrendas como ursos raivosos querendo um naco de nossas pernas ou abelhas enfurecidas capazes de nos mandar dessa para uma melhor.
(Bem que podíamos ter evoluído para nos proteger de machos de sapatênis e esquerdomachos de coque e sandália de couro…mas, enfim)
O cérebro que carregamos em nossas caixas cranianas é otimizado para enxergar os perigos, os riscos, as possíveis catástrofes que vão comprometer nossa capacidade de espalhar nossos genes por aí.
O coitado tem muito pouco tempo de experiência na escala evolutiva projetando cenários MARAVILHOSAS, ORGÁSTICOS E INCRÍVEIS ONDE A SUA EMPRESA FAZ 40% DE MARGEM UM MÊS DEPOIS DE TU TER PASSADO UM ANO VIVENDO A VIDA COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ.
Entende o que eu tô querendo te dizer?
Se num, entendeu eu vou explicar com todas as palavras possíveis:
Nós não somos capazes de acreditar num futuro brilhante e megalomaníaco para nós se não conseguirmos PROVAR isso para os nossos cérebros que estão o tempo todo calculando quanto tempo falta para acabarem as reservas de glicose antes de termos que sair para caçar de novo.
Tal qual a minha xinfrim planilha esfregou essa realidade na fuça da ex mentorada, você também precisa ter essa realidade esfregada na sua belíssima cútis para conseguir ver de verdade que talvez você esteja subestimando a capacidade de geração de grana que tem em mãos.
E tudo isso só porque você não se rendeu ao maravilhoso mundo das linhas horizontais e verticais que se cruzam em cima de um fundo branco.
Sabe o que rolou depois que eu mostrei para ela que ela tinha um negócio muito melhor que sonhava em mãos?
Ela soltou algo como
“ahh, agora to até achando a meta anual que tinha definido baixa demais”.
Ouça isso com calma:
“Tô achando a meta BAIXA demais”
A mulher que solta essas palavras, na boa, essa mulher é IMPARÁVEL.
Ela descansa, dorme, vê Netflix e não trabalha enquanto eles dormem.
Ela é imparável para ela mesma.
Tu tem noção do que é você sair do estado de “meu deus está tudo perdido” para “minha meta está baixa demais” em MINUTOS?
Pois, eu tenho.
É um fenômeno bonito por demais de se ver.
O que eu quero trazer para você é:
Queda de cabelo? Uma planilhazinha depois do almoço resolve.
Dor nas costas? Planilhas 3x por semana, dia sim dia não.
Fraqueza, fadiga, insônia: planilhas, planilhas, planilhas.
Antes de ser uma empresária, tu é uma doida sonhadora com uma planilha.
Eu só espero que você seja uma doida medicada.
Porque tá para nascer um ansiolítico melhor do que essa danada.
PLANILHE
PLANILHE
PLANILHE
E na dúvida, planilhe mais um pouquinho.
(Exceto as doidas patológicas por planilhas que nem eu que precisam ser impedidas de planilhar todas as suas vidas em retangulares células dispostas em uma tela. Para, vocês eu recomendo vinho. Tim tim)
Beijos com minha taça na mão,
Mari Fernandes.
OBS 2:
Lá na Imersão de Planejamento do Ano, nós usamos muitas planilhas porque, como já te falei, antes de mais nada nós somos mulheres com planilhas nas mãos. E até liberei um mimo para todas as alunas, uma aula que é a bula pra você usar minha recomendação médica, essa aula se chama Planilha Pra Quem Odeia Planilhas e vai salvar todos os seus neurônios. Se tu não é aluna da Imersão,
OBS 3:
Se teu caso com dinheiros é um pouco mais complicado do que simplesmente mexer numa planilha e tu tá tipo essa minha mentorada (porque, sim, de ex mentorada agora ela é mentorada de novo) que não conseguia enxergar os próprios dinheiros, o Dinheiro Sem Neura é pra senhorita.
Mais uma observação porque hoje eu tô muito observadora:
OBS 4:
Para te provar que você deveria tomar planilhas de manhã, de tarde e de noite, eu vou contar mais um causo assim que acabei de escrever essa carta fui fofocar no grupo da Fluida, ninguém sabia ainda o tema da carta e me deparo com isso aqui:

O causo que estávamos fofocando era outro, envolvia um cenário totalmente diferente desses que contei pra vocês hoje, mas a resposta era a mesma:
PLANILHE
PLANILHE
PLANILHE
Se você tava precisando de mais uma prova da eficácia ansiolítica das planilhas, tá aí.