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Carta 050

Assoviando o hino nacional

Descobrimos 44 conteúdos prontos que eu nem sabia que existiam. Uma carta sobre a diferença entre onde você luta e onde você brilha — e por que desperdiçamos tanto talento tentando melhorar onde somos ruins.

Gestão de marketing

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!

Onde se encontra o seu popô nesse exato momento?

De pijaminha acomodado em um pós-feriado ou na cadeira do escritório trabalhando como se segunda fosse?

Eu tô escrevendo hoje esse email sentada de perna de índio, na grama, em cima do meu tapetinho de yoga (eu ainda tenho dificuldades de aceitar plenamente que meu trabalho permite isso, doido né).

E a carta de hoje não tem tema. Alguns dias eu acordo com ela todinha na cabeça e tenho que correr para o computador para psicografar ela para vocês.

Outros dias, eu e a equipe trocamos áudios para escolher sobre o que vamos falar.

Hoje, porém, não foi nenhum desses dois dias.

Até cheguei a pensar

“ah, sexta feira treze, pós feriado, se a gente não mandar ninguém vai nem achar ruim”.

Sim, meu cérebro também formula frases absolutamente descabidas quando se vê diante de uma tarefa que ainda não sabe como resolver.

Hoje eu acordei pensando em vocês

(que os maridos não estranhem).

Acordei pensando em quais vozes da minha cabeça seriam relevantes para compartilhar.

Quais ideia, visão de mundo, ranço compartilhado viriam para dar um quentinho no coração de vocês.

Não cheguei nessa resposta, mas estamos na carta CINQUENTA. Sim, são cinquenta semanas que todas as sextas eu abro o computador e despejo meus miolos em forma de letras para vocês.

Daqui a 2 cartas completaremos UM ANO de cartas ininterruptas da Mari, já caiu a sua ficha do que é isso?

A minha caiu agorinha escrevendo esse parágrafo para você. Eu sempre tive uma admiração estupenda pela disciplina e constância. Não sei explicar de onde vem esse troço, mas fazer algo consistentemente por muito tempo me hipnotiza.

Eu nunca imaginei que esse seria o hábito mais simples, mais gostoso, MAIS FÁCIL e mais terapêutico que eu implementaria na minha vida.

E, talvez, esse seja o tema da carta de hoje (que acabou de se apresentar para mim num neurônio que acendeu quando escrevi essa frase).

Então, vamos a esse tema.

Por volta da carta 40 e alguma coisa eu acho que contei para vocês sobre a minha batalha em relação a produzir conteúdo, você lembra?

(Calma, a carta não é sobre produzir conteúdo)

Bom, tem muitos meses que a gente olha para um jeito de “resolver” isso na Fluida.

Eu tenho ideias TODO O TEMPO, mesmo.

Tipo, cada aula que eu dou, cada mentoria que faço, cada story que vejo suscita no meu cérebro uma profusão de temas que eu queria conversar com vocês.

E elas vão embora na mesma velocidade que chegam, se eu não escrever (ou gravar um áudio, que geralmente é o que eu faço), elas vão se embora, amém.

Bom, eis que a produção de conteúdo por aqui tá estranha há alguns meses.

Mudamos de estrutura de equipe, eu fiquei com ranço de como as pessoas falam merda na internet e de algum jeito tinha uma voz na minha cabeça que todos os problemas eram porque eu não estava me ORGANIZANDO para produzir conteúdo.

Que eu tinha que ter um dia da semana fixo para sentar a bunda na cadeira e CRIAR.

Escrevendo isso me dá até uma vergonhinha pensar o quanto eu tava cega.

Na terça rolou reunião semanal do time e nós descobrimos o seguinte:

Tínhamos nada mais, nada menos do que QUARENTA E QUATRO conteúdos que eu já tinha criado PARADOS no nosso fluxo de produção.

Sim, sem eu parar um dia sequer para “criar conteúdo” eu pari 44 fucking peças de conteúdo.

Áudios, vídeos, textos…

Agora para e pensa comigo: será mesmo que eu precisava “me organizar” um dia da semana para fazer o conteúdo? Que era ESSE o problema?

Pois descobri que não.

O problema é que passamos MESES, talvez anos, na Fluida tentando formatar as minhas ideias para caberem num formato quadrado de conteúdo.

“Isso qui é reels, isso aqui é carrossel, isso aqui vai ser stories”

E aí pronto, fudeu o rolê para mim.

Eu tinha uma epifania, gravava um áudio de 15 minutos em exatos 15 minutos e passávamos algumas HORAS depois tentando derivar esse áudio em um texto.

Em um carrossel, em uma sequência de stories, em um vídeo.

Meu cérebro nos dava de bandeja um conteúdo denso e profundo em 15, 30, 40 minutos.

Eu passava 1 semana tentando fazer esse conteúdo parido se tornar OUTRA coisa.

Veja aqui o

DESPERDÍCIO de talento que cometi comigo

mesma.

A minha querida massa encefálica me deu a dádiva de criar o tal do conteúdo “raiz” sem esforço, parei para almoçar me vem um áudio completo sobre o poder da amizade feminina na cachola.

Saio do banho a danada me entrega de graça uma análise sobre os dilemas intransponíveis de ser uma mulher que quer conquistar tudo, mas quer aposentar ontem.

Termino uma mentoria e brota no encéfalo mais uma dissertação sobre o padrão de comportamento de não ganância das mulheres.

Eu sou agraciada diariamente (di-a-ri-a-men-te) com “conteúdos” que as vozes da minha cabeça produzem sem roteiro, sem script, sem planejamento.

E lá estava eu me chicoteando intelectualmente para “sentar e produzir”.

Eu num tô falando que você deve seguir meu despirocado exemplo e esperar ideias mirabolantes brotarem na sua cabeça, num faça isso.

Mas, para MIM funciona.

SEMPRE funcionou. Eu lembro que comecei a fazer conteúdo quando gravava IGTVs de 15 minutos saindo da terapia.

Eu saía da terapia, da academia, sentava no carro, apoiava a câmera no volante e dava o play.

As mulheres ouviam os meus 15 minutos de disparates verbais sem roteiro.

Elas comentavam.

Repostavam.

Me mandavam mensagem no whats dizendo “Aquele IGTV tal me fez lembrar que …”

Eu era feliz e nem sabia.

Eu gravava porque parecia que as palavras PRECISAM sair da garganta, tipo um motim.

“Se tu não abrir essa boca a gente vai gritar nas sua cabeça até você não conseguir ouvir mais os seus pensamentos”

As danadas eram bem boas nisso.

Começamos as cartas porque as palavras também cutucavam as articulações dos meus dedos fazendo eles se movimentarem pelo teclado numa velocidade mais rápida do que a gramática da língua portuguesa é capaz de acompanhar.

Quantas vezes assassinei o português porque as palavras brotavam sem controle?

(MUITAS, precisamos revisar a carta inteira para ela chegar legível para vocês)

O fato é que gravar áudios para mim é fácil.

Discorrer sobre temas de forma mais longa é fácil.

Resumir uma carta de sexta em 3 stories é um martírio.

Amputar pedacinhos das minhas ideias para caber em um vídeo de 1 minuto é sacrilégio criativo.

E eu tava tentando fazer isso.

Essa fichona foi arremessada na minha caixa craniana e o som que ela fez gritou bem alto

“minha filha, tu precisa de um lugar em áudio para conversar com a mulherada”.

Eu ouvi, conversei com a equipe.

Falei da ideia.

E hoje tô aqui para dividir ela com você, dividir não, construir juntas, porque ela ainda é só uma ideia.

Na verdade são duas ideias.

A primeira ideia

é:

Por que caralhos a gente passa tanto tempo tentando aperfeiçoar onde somos ruins ao invés de explorar onde esbanjamos facilidade?

O instagram quer vídeo, quer cortes, transições, legendas em destaque.

Eu sou boa de video, mas não ESSE aí.

Eu sou melhor no video “dá o play e habla”

Sou melhor ainda em áudio, porra, como eu sou boa nisso.

As ideias fluem com uma facilidade estupenda e eu (quase) sempre ouço o áudio de novo e falo

“caceta, isso aqui ficou bom demais”.

Eu não sou tão boa em aula estilo “vou te mostrar como eu faço”.

Mas, eu sou boa para ppk em “vou te guiar para você fazer agorinha junto comigo”

Não brilho em consultorias superficiais de 30 minutos.

Mas eu brilho em mentorias que posso ir fundo.

Essa sou eu.

Existe o que eu faço com o pé nas costas, de olhos fechados e assoviando o hino nacional.

E existe aquilo que eu tenho que sentar a bunda na cadeira, acender uma vela, cheirar uma sinergia sei lá das quantas, botar o ventilador milimetricamente direcionado, encher 2 garrafas d’água, me ajeitar na cadeira e clamar as deusas da criatividade para conseguir fazer.

Eu valorizo o esforço, a disciplina e o trabalho focado.

Mas, eu me esbaldo na facilidade.

Eu ainda não encontrei ela em todas as facetas do meu trabalho, algumas eu ainda preciso de muito crossfit encefálico para fazer, mas onde eu tenho encontrado tem sido MAGNÍFICO.

Testamos algumas DEZENAS de estratégias de vendas já aqui e descobri que a mais fácil foi aquela que usamos primeiro, mas que achávamos “sofisticadas de menos” para funcionar para sempre.

Vejam bem que loucuragem.

A primeira ideia é essa: onde tá escondida a facilidade do seu trabalho? Onde é tão, tão, tão fácil que você nem vê por que passa deslizando do seu lado? Que engrenagem tá tão lubrificada que você não ouve o barulho e esquece da presença dela?

ESTÁ AÍ O QUE VOCÊ DEVERIA FAZER

É nesse lugar da facilidade que a gente brilha.

É um formato de aula? Um tipo de mentoria? Uma forma de fazer conteúdo? Um tipo de persona? Um tema?

Onde caralhos essa poha é fácil para você?

Agora vamos à segunda ideia:

Tem uma voz (estridente) dizendo que a minha facilidade de expor as vozes da minha cabeça é onde eu deveria jogar luz.

Que essas insistentes vozes precisam desesperadamente chegar em outros ouvidos.

Que elas amam falar sobre negócios, mas querem também poder falar sobre mais.

Sobre a vida das mulheres, sobre os nossos dilemas, crises, paranóias, críticas, raivas e talentos.

Que eu sou empresária, mas os temas que jorram da minha cabeça extrapolam os limites do CNPJ.

Eu não sei como, que formato, de que jeito, qual plataforma… mas eu sei que existe uma poltrona fofinha com o meu nome em cima nesse lugar onde meus 44 áudios gravados no whatsapp chegam nas tubas auditivas das senhoritas.

E eu tô com muita vontade de seguir essa voz que gritou esse rolê todo no meu ouvido.

E hoje ela me lembrou que fica mais fácil quando eu ouço de outras mulheres

o que elas acham sobre as minhas ideias.

Eu queria ouvir os seus neurônios.

O que eles te dizem sobre a gente ter um lugar onde você pode ouvir as vozes da minha cabeça meio que em tempo real?

Como ressoa em você a ideia de um lugar recheado das minhas epifanias em decibéis para cutucar os seus miolos?

Quais temas, formatos, ideias ressoariam profundamente em você?

Onde a gente faria isso? Como? Com qual frequência?

Eu tô cheia de ideias por aqui, mas tô seguindo as vozes que dizem:

Deixa elas dizerem

Quero te ouvir

Meu tímpano tá preparado

Despeje suas ideias para mim

Beijos sonoros,

Mari Fernandes.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·