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Carta 049

Acidez incendiária

De 10 bilionários brasileiros, há uma mulher. Mas o que me inquieta não são os bilionários — é que nunca ouvi uma mulher dizer que quer ser milionária. Uma carta sobre o freio social que nos convenceu de que grandeza é peso.

Gestão de dinheiros

BUENAS TARDES, MARAVILHOSA.

A carta de hoje não tem causo.

Mas, tem teorias baseadas em vozes da minha cabeça

(ou nem tanto).

Vou começar te perguntando um trem:

Você por acaso já disse “eu não preciso ser milionária”?

Você já disse algo do tipo “ah, eu só preciso pagar minhas contas com conforto”?

Você já falou isso pra alguém ou pra você mesma?

Convenhamos que pagar as contas em paz no Brasil já é um feito e tanto, mas é impressionante a quantidade de vezes que eu já ouvi essa frase saindo de boca de mulheres.

Seja em roda de amigas, seja em mentorias, seja em comentários aleatórios pelo instagram.

Dá só uma olhada na lista de bilionários da Forbes de 2022.

  1. Jorge Paulo Lemann

  2. Joseph Safra (antes de seu falecimento em 2020)

  3. Marcel Herrmann Telles

  4. Carlos Alberto Sicupira

  5. Eduardo Saverin

  6. André Esteves

  7. Luciano Hang (sim o veio deplorável da havan)

  8. Candido Pinheiro Koren de Lima

  9. Luiza Helena Trajano

  10. Rubens Ometto Silveira Mello

De 10 nomes, tem UMA mulher.

Agora no cenário mundial, olha só essa lista dos bilionários:

  1. Elon Musk

  2. Jeff Bezos

  3. Bernard Arnault & família

  4. Bill Gates

  5. Warren Buffett

  6. Larry Ellison

  7. Larry Page

  8. Sergey Brin

  9. Mukesh Ambani

  10. Francoise Bettencourt Meyers & família

UMA mulher. A Francoise, que é empresária e herdeira da L’oreal.

Pra nossa própria tristeza (além do fato de existirem bilionários), num é novidade nenhuma que a disparidade de gênero na riqueza é resultado de fatores históricos, culturais, educacionais e estruturais que limitaram o acesso das mulheres a oportunidades econômicas e recursos.

(Em português claro: impediram a gente de ter acesso a bufunfa)

Mas, sabe o que é mais curioso ainda?

É que eu nunca, nunquinha na vida, ouvi um homem falando isso. Você já?

Muito pelo contrário.

De homens eu ouço o exato oposto.

Sabe o que isso me parece, na real oficial?

Isso me parece uma bela maneira de fazer a gente ter muito medo e nem sequer tentar alcançar objetivos grandes.

Convenceram a gente que ser milionária é péssimo, é difícil, é triste, é coisa de homem de cabelo branco e pouco colágeno.

Convenceram a gente que a vida de milionário é uma péssima vida.

Milionários trabalham demais, estão exaustos, estão solitários.

Eles não tem vida, morrem cedo de AVC e não tem ninguém que os ame no final do dia. Causa quase uma comoção de pena de um milionário, né?

COI-TA-DI-NHOS

“Deusas me livrem de ser como esses milionários”

Veja que coisa loka, pulverizaram essa ideia estranha de que toda essa galera ricaça vive uma vida interna fria e miserável.

É óbvio que tem um monte de gente rica toda cagada da cabeça,

Mas, de algum jeito torto parece que PARA NÓS grandeza é sinônimo de PESO e não de legado.

Tirando o fato de que eu já vi mais cenas de tristeza em gente com muito pouca grana do que em gente com muita, tem outro ponto: essa relação de que muitos dinheiros significa se afastar de uma vida “leve” ronda majoritariamente cabecinhas XX.

Você não acha isso no mínimo curioso?

Eu acho.

E por causa dessa curiosidade despirocada que eu tenho em entender padrões de comportamento em mulheres, minha cabeça formula muitas teorias. E essa é mais uma delas:

Me parece muito bom pra concorrência fazer com que as suas concorrentes nem entrem na corrida.

Novamente em português claro:

É muito bom para o patriarcado fazer as mulheres sequer desejarem o acúmulo de riqueza

que esse moço chamado capitalismo permite.

Quem não corre, não ganha.

Se o pensamento “eu num quero ser milionária” já chacoalhou os seus neurônios, reflete aqui comigo…

Esse pensamento tem algum embasamento em FATOS?

Ele é seu mesmo?

Tu conhece algum milionário?

Você já foi milionária, jogou dinheiro para o ar tal qual Sílvio Santos, olhou para aquelas notas e falou “nossa que triste essa vida com dinheiro, quero não”?

Já?

Se nenhuma dessas opções aconteceu na sua vida, vamos precisar concordar que não tem absolutamente nenhum dado concreto que suporte essa ideia de que se você crescer “demais” a sua empresa, você vai ter dinheiro “demais” e que isso é peso “demais” e que é melhor ficar com dinheiro “de menos”.

Quem tem um capataz dentro da cabeça nem precisa de um do lado de fora dela.

Fazer as mulheres temerem a grandiosidade é FREIO SOCIAL.

É mecanismo, estratégia, projeto… não é por acaso.

Pausa dramática para refletirmos nessa frase. Fim da pausa.

Meu objetivo hoje é chacoalhar os miolos da senhorita e talvez com isso despertar um mix de sentimentos incendiários que te façam se movimentar.

Quero despertar um tico de indignação que te incomode a ponto de você se recusar a aceitar as coisas como elas são.

Que o fato de saber que o mundo não é um grande camarada das mulheres te empurre para fazer as coisas darem certo nem que seja por teimosia (ou raiva).

Seja lá o grau de acidez que a carta de hoje desperte em você, que ela seja faísca.

Tenha ideias megalomaníacas

Defina umas metas grandiosas

Visualize coisas fodonas para você

Estamos no último trimestre do ano, historicamente é um trimestre onde o nosso mercado vende para a ppk.

Eu espero que ele seja assim para você também.

Pra ser milionária ou não,

mas pra poder ser livre.

Porque nenhuma mulher é livre sem dinheiro.

Beijos no pix,

Mari Fernandes.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·