Carta 032
Foi muito gostosinho
Maio foi gostosinho — e não porque trabalhei mais, mas porque criei políticas pessoais de trabalho. O que aprendi sobre trabalhar menos e melhor.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA.
Como a senhorita termina a primeira semana oficial de junho?
Por aqui: com os pés pra cima, mas nem tanto.
O último mês foi um mês gostosinho e eu vim conversar sobre isso hoje porque quero que todos os seus meses daqui pra frente sejam assim: MUITO GOSTOSINHOS.
Na carta 29 eu falei aqui pra vocês que eu tinha puxado a corda.
Ou seja, extrapolei meus próprios limites no trabalho e deu ruim.
Por conta disso, coloquei o pé no freio em maio e não tô pretendendo mudar isso nos próximos meses.
Aqui, a gente parte da filosofia que criamos negócios pra bancar a vida além da PJ.
“Mari, mas desacelerar num impacta os dinheiros?”
E é aí é que tá, meu amô, um delicioso NÃO necessariamente.
Trabalhamos menos, mas trabalhamos de forma mais inteligente.
Embora tenha sido um mês que eu fiquei muito ausente dos stories, quase não dei o ar da minha graça por lá, em maio batemos a nossa meta de faturamento e, pelo andar do vento, em junho também faremos isso.
A grande conquista dos últimos tempos, porém, não foi o faturamento.
A minha grande conquista, na verdade, foi ter estabelecido POLÍTICAS PESSOAIS DE TRABALHO.
Fazendo a revisão do mês de maio, alguns pensamentos surgiram na minha cachola e é sobre isso que vim compartilhar hoje.
Há males que vem para o bem.
Acabei me sobrecarregando em março, em abril… Tomei alguns sustos e fiquei assustada. Só que esse susto serviu pra dizer:
“Calma lá, Mariana, agora você precisa ser rígida e impor limites aqui, limites claros, que você não vai ultrapassar”.
E isso gerou algumas consequências.
A primeira é que eu entendi que eu precisava de uma política pessoal de trabalho.
(Eu nunca tinha parado pra pensar nessa porra!)
Qual é a minha política pessoal de trabalho?
São algumas, vou compartilhar com a senhorita hoje.
A minha primeira política pessoal é: PF primeiro, PJ depois.
Então, o meu dia não começa com trabalho.
PF primeiro, PJ depois não é uma questão de horário. Não é que você tenha que começar o seu dia priorizando a sua PF, mas pra MIM eu entendi que isso é necessário. O meu dia não pode começar com o trabalho e assim o meu dia começa com alguma coisa que seja pra me preservar — tipo me cuidar, me alimentar, me exercitar, fazer uma meditação, uma yoga, tomar sol no quintal, tomar um café da manhã nutritivo, enfim.
A minha segunda política pessoal é a de não trabalhar final de semana.
Eu já fui MUITO a pessoa de falar “ah, eu não me importo de trabalhar no fds”. E, real oficial, eu realmente não me importo, sinto que não atrapalha.
Pois muito bem. Não atrapalhava — até que começou a atrapalhar. E quando é que começou a atrapalhar? Quando ao invés de eu substituir um dia de trabalho da semana por um dia no fim de semana, eu trabalhava a semana inteira E TAMBÉM no fim de semana.
Comecei a achar que segunda e sábado era o mesmo dia, tudo era a mesma coisa, não tinha separação, era um emaranhado de dias iguais, uma semana sem começo, sem meio e sem fim.
Com isso, meu cérebro não tinha motivo nenhum pra querer que chegasse o fim de semana, porque simplesmente deixou de existir a figura do fim de semana.
Essa tal figura do fim de semana não é sábado ou domingo. A figura do fim de semana é um dia que o padrão é fazer aquilo que faz bem, que a regra é não trabalhar.
A gente que é infoprodutora e empresária digital tem sim bastante flexibilidade no nosso trabalho, mas comecei a entender que TER flexibilidade não significa, necessariamente, usar sempre essa flexibilidade.
Já a minha terceira política pessoal é a de ter uma hora para encerrar o expediente de trabalho. Aqui entra aquela danada flexibilidade de novo. Eu sei que eu posso começar a trabalhar às 8h ou às 15h, posso parar às 18h ou às 23h.
Só que toda essa flexibilidade tava me cansando porque eu não colocava limites. Eu começava às 8h e terminava 23h, meia noite, na madrugada, porque eu ia mesclando vida pessoal e trabalho. Por um tempo foi o melhor para mim, mas hoje eu tenho me sentido melhor com cada um na sua caixinha.
Agora eu ESTABELECI que termino às 21h. Tenho um alarme às 20h30 que já me lembra de ir encerrando o dia para às 21h eu desligar a poha do computador e ir fazer outra coisa.
Duas outras políticas pessoais por aqui são a de comer FORA do computador, assim eu tenho um horário estabelecido para me alimentar e descansar os miolos pelos próximos 20-30 minutos. E a outra é de ter dias fixos e máximos para atender.
Já tenho na agenda os horários disponíveis para atender consultorias individuais e não abro exceção para outros horários.
Como é que eu cheguei nessas políticas pra te ajudar a formar as suas?
Eu parei pra pensar sobre o que era importante para mim e sobre como o meu tempo estava sendo distribuído.
Por exemplo…
Eu PRECISO me alimentar bem, essa é uma questão que impacta diretamente a minha saúde. Por isso que eu necessito de um café da manhã nutritivo, preciso de um bom almoço (sem contar que fico com um humor de pouquíssimos amigos quando tô faminta).
Eu PRECISO também de ócio. Esse momento pra fazer vários nadas alimenta a Mariana como pessoa e também a Mariana CEO da Fluida que precisa da cabeça livre para criar.
E a senhorita?
O que é importante para você? Quais podem ser as suas políticas pessoais de trabalho?
Responde esse e-mail me contando.
Que o mês de junho seja gostosinho não só por aqui, e nem só em junho.
Que a gente aprenda a não ser capatazes de nós mesmas e que o prazer não seja raridade.
Beijo,
Mariana Fernandes.