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Carta 031

O sutiã preto de aro

Paramos de seguir 460 pessoas no Instagram e o alívio foi como tirar o sutiã de aro. Uma carta sobre vácuo de referência e o que você deveria parar de consumir para criar com mais tesão.

Gestão de marketing

BUENAS TARDES, MARAVILHOSAS!

Como você passou essa semana?

Aqui na Fluida foi uma semana da ppk.

Aparentemente, depois das rasteiras que abril pregou em todo mundo (você leu a carta 30?), o universo resolveu nos recompensar

com um fim de maio bem do maravideuso.

Apesar do nosso movimento de desaceleração (ou talvez POR CONTA dele), a gente avançou como empresa em aspectos realmente relevantes, sabe?

Fizemos menos coisas,

mas com muito mais agilidade

e sem ser acelerado.

Inclusive, fazendo a minha revisão pessoal de maio

eu vi que esse foi o mês que eu mais tive lazer, vida social e ócio

(acabei de decidir que teremos uma carta sobre isso, a relação entre ócio e lucro).

Bom, mas voltando para maio:

Parimos um novo funil de vendas, batemos a meta de faturamento de maio, chegamos em um marco muito massa de faturamento em 2023.

Foi um mês suculento.

Como foi o seu?

Hoje eu quero trazer aqui um trem que a gente fez aqui que não aparece no insta, mas que foi um dos pontos altos do mês.

Já contei pra vocês que sufoquei uma grande parte da Mariana que vos fala durante a pandemia né?

Parte que agora estou finalmente recuperando.

Mas, além dessa parte da Mariana — aquela que dança com as amigas, que visita a avó, que faz exercício no ar livre —, tem a parte da Fluida que também foi sufocada.

Nós fechamos o nosso escritório físico, não tivemos mais eventos presenciais e nossa equipe que trabalhava juntinha na mesma mesa do escritório virou toda remota.

Contratei e descontratei muita gente que eu só conheço a carinha nas dimensões do Zoom.

Sei nem a estatura da pessoa (foram 3 anos de pandemia né?!).

E, como vocês já estão calvas de saber, eu criei a Fluida para UNIR mulheres.

Aglomerar, juntar, aglutinar, muvucar.

Agora pensa na falta estrondosa que esses momentos me faziam?

Eu me NUTRO de presença, de conversas, de olho no olho.

Ao contrário de muita gente, eu me recarrego quando tô cercada de seres humanos.

(Em especial de seres humanos mulheres).

Bom, eis que na sexta-feira passada recuperamos essa parte da gente também: fizemos uma reunião presencial

(tal qual os incas faziam).

O digital é incrível, eu sei.

Atendo mulheres do mundo inteiro, tenho mentoradas que estão espalhadas pelo Brasil e pelo resto do globo, tenho alunas em diferentes países e fusos.

Só que o presencial tem um trem diferente, né?

Saca só um exemplo que vivenciamos

por aqui:

Toda quarta-feira aqui na Fluida nós temos reunião do time. Abrimos o Zoom, fazemos o nosso check-in, vamos para as pautas do dia, discutimos e encerramos com os respectivos encaminhamentos. A gente dá boas gargalhadas na call semanal, rimos, contamos umas piadinhas, mas o foco ali é o trabalho.

Na sexta-feira, na nossa reunião presencial pós-apocalipse, teve comida, fofoca, cachorro me lambendo, risada e um nível de discussão que não é tão facilmente alcançável numa telinha de computador.

Ninguém gosta de silêncio numa sala de video chamada. Vamos logo, sem perceber, preenchendo as pausas com falas.

Mas, talvez no presencial esse silêncio exista melhor.

E também aquela outra coisa, sabe quando cê tá papeando e um assunto leva para outro que leva para outro e quando você percebe não sabe como chegou nele?

Pois muito que bem.

No meio dessa reunião de trabalho/fofoca/encontro de amigas, chegamos num assunto que nem eu sabia que estava me incomodando tanto.

O tópico foi o quanto eu estava achando tudo que eu via na internet com gosto de picolé de chuchu. Sem graça, sem gosto…

Compartilhei que eu tava me sentindo sufocada por informações mais do mesmo.

Que eu abria o Instagram e parecia que todo mundo tava falando a mesma coisa, vestindo a mesma roupa, com o mesmo visual de “alto valor”, com o mesmo arquétipo amante-governante, com os mesmos discursos macho alfa.

Isso tudo estava minando minha energia criativa.

Na política tem uma expressão que diz

“não existe vácuo de poder”.

Basicamente significa que quando alguém poderoso cai, logo assume outro no lugar.

Quando um buraco surge, logo ele é ocupado.

Com o nosso cérebro é a mesma coisa.

Não existe vácuo de referência.

Se você consome algo aquilo vira referência, mesmo que você racionalmente ache aquilo péssimo.

Se a gente fica lotando a cabeça de informações que achamos meio insossas, na hora de criar, esse é todo o repertório e referência que temos.

A consequência disso é achar que o que está criando também tá meio merda,

que tá igual, que tá sem gosto.

Já sentiu esse treco aí? Esse gostinho de soro fisiológico sem graça?

Então, pra resolver essa parada, precisamos tirar esse tipo de referência e colocar outras no lugar,

ocupando o vácuo.

Quando criei a Fluida, minhas referências eram completamente outras. Não conhecia e nem tinha ninguém do marketing no meu insta, não era um universo conhecido por mim.

Eu consumia muito mais sobre criatividade, negócios sociais, impacto social, tecnologia…

Só que aí, lá atrás, fui começar a estudar mais pesado sobre marketing e acabei caindo em determinadas panelinhas algorítmicas.

A equipe da Fluida foi crescendo e cada sereia nossa foi seguindo mais e mais pessoas na nossa conta.

Quando eu abria o feed do Instagram pra responder direct ou pra gravar stories, eu caía nesse mar do mesmo (e que grande cocô cinza o mundo fica quando é todo mundo igual).

Eu não sabia nomear que era isso que estava sorrateiramente sugando meu tesão,

mas nessa conversa presencial foi onde consegui identificar (sabe aquele trem de “eu falo pensando”? Prazer, Mariana)

Eis que saímos com um encaminhamento da reunião: parar de seguir todo mundo do nosso insta.

Sim.

“Pode deixar de seguir todo mundo, pelo amor da deusa”

3 dias depois, o resultado foi:

Saímos de 500 e tantas pessoas para 41.

Se formos parar para pensar de forma literal, é até ingênuo achar que dá para “SEGUIR” mais do que UMA pessoa ao mesmo tempo, seguir e acompanhar os passos.

Como raios a gente consegue ir atrás de mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Na vida real não consegue, mas no mundo paralelo da internet a gente “SEGUE”.

Bom, fato é que a gente fez essa redução drástica aí.

E quer saber o resultado?

UM ENORME E MASSIVO ALÍVIO.

Imagina a cena: você abre o feed, rola duas vezes para baixo e ele te mostra a seguinte mensagem “é tudo por hoje”.

Leia novamente essa frase.

“É tudo por hoje”

Fim, acabou, vai fazer outra coisa da vida criatura.

Eu sinceramente não consigo ver na vida de empresária nada que sinalize “o trabalho a ser feito A-CA-BOU”.

A gente sempre tem mais uma coisinha a fazer, um direct para responder, um criativozinho para gravar…

Que alívio.

Caso você ainda não tenha compreendido o tamanho do meu alívio eu vou descrever ele melhor:

Foi como chegar em casa e tirar o sutiã de aro

que junta os peitos para você ficar mais peituda.

(Se você não alcançou o nível de alívio que eu to descrevendo, não há mais nada que eu possa fazer por você).

Então na carta de hoje, meu convite é esse:

TIRA O SUTIÃ

(Brincadeira 😂, mas se quiser pode)

Dê unfollow em todo mundo que não é muito legal para caramba.

Para de seguir todo mundo que “ah, ele posta umas coisas legais de vez em quando”.

Se livra de engolir stories de quem “eu acompanho de vez em quando”.

(Fer disse para fazer com calma, ir dando unfollow de tipo 50 em 50 com longos intervalos para a conta não travar)

A ignorância (do dicionário — estado de quem não está a par da existência ou ocorrência de algo) é, muitas vezes, uma benção para você e para o seu negócio.

Você não precisa saber tudo que a sua concorrência está postando ou fazendo.

Você não precisa se sentir sufocada por referências parecidas.

Você não precisa se alimentar de pessoas e informações que não são tão aliviantes quanto você já sabe o que.

Você definitivamente não precisa seguir todo mundo.

Esse tipo de coisa pode estar apertando sua criatividade tal qual seus pobres peitos espremidos num sutiã preto de aro.

Uns peitinhos balangantes suscetíveis a gravidade podem ser justamente o que você tá precisando para criar com tesão.

Beijos sem aro,

Mari Fernandes

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