Carta 017
Então, é carnaval
Não edite quem você é — ser autêntica pode assustar alguns, mas cria conexões verdadeiras e duradouras com quem realmente importa.
BOA TARDE, MARAVILHOSA!
Já finalizou tudo por aí e está prontíssima para tomar bons drinks, colocar glitter no corpo e ir curtir do jeito que você merece?
Ou você é do time que já colocou o pijama, escolheu uma série na Netflix e vai ficar de boa na lagoa até o meio-dia da quarta-feira?
Ou a senhorita nem tá sabendo que é carnaval e vai continuar trabalhando para construir o seu império negócio?
Em épocas que o mundo está em um ritmo e talvez seu negócio te peça hoje você pode se sentir dividida entre o que ser/fazer.
Hoje quero conversar sobre isso.
Vou te contar o que rolou aqui na Fluida na semana passada para começarmos
Eu gosto de bons drinks - se você é dino Fluida já sabe disso há tempos.
(Menos cerveja que o gosto é sofrível, me julguem)
E eu tenho o prazer de fazer bons drinks aqui em casa no final de semana.
Eu, um trem para beber e uma playlist de gosto duvidoso.
Fim de semana passado compartilhei nos stories a foto de uma lata de Gordon’s, que é basicamente gin e tônica já misturados.
Eu não tenho o hábito de escancarar minha vida pessoal no Instagram.
(Não é minha vibe e já conversamos antes sobre isso)
Mas, hoje quero trazer um ponto diferente.
POSTAR STORIES BEBENDO ARRANHA A MINHA IMAGEM?
Eu sou vista como menos competente porque me divirto e gozo da vida ENQUANTO trabalho?
A resposta deveria ser um retumbante não.
Mas, por que então pensamos duas vezes antes de aparecermos “sem filtros”?
A resposta tá na ponta da língua.
Porque existe um trem chamado patriarcado que, entre outras coisas, não se alegra com uma mulher alegre.
Nós viemos para sofrer (tal qual o imaginário coletivo da virgem maria).
Somos servas, útero, peito, esposa…
Uma mulher feliz que desfruta a vida é tudo que o patriarcado NÃO QUER.
Existem centenas de penalidades para mulheres que são quem são.
Nós somos silenciosamente punidas por sermos assim ou assado.
Então, é NATURAL que você pense duas vezes antes de expor pedacinhos de você que podem ser mal vistos.
Eu entendo, e acolho todas as mulheres que não podem se dar ao luxo de postar stories bebendo “durante o expediente”.
(Vide o processo do pedro scobby, com imagens de biquini da ex esposa Luana Piovani sobre a guarda das crianças)
Eu tenho um puta privilégio de receber BENEFÍCIOS sendo quem eu sou.
(Além de ser uma mulher muito dentro do que é o padrão de beleza eu tenho um negócio que me permite ser eu mesma)
Quando eu posto um story bebendo, eu arranho a minha imagem sim…
…mas na cabeça das pessoas que EU NÃO QUERO atender, que NÃO SÃO a minha persona.
Já na cabeça das pessoas que EU QUERO atender e quem SÃO SIM a minha persona, esse é o resultado:




Para quem pode, NÃO VALE A PENA EDITAR QUEM VOCÊ É.
E não estou entrando aqui no rolê do branding, posicionamento e os carai, eu to dizendo em SER QUEM VOCÊ NÃO É.
Em esconder algo que faz parte de você por que “não pega bem”.
E esse papo vem a calhar com o carnaval.
Seja qual for o seu perfil, como sua possível mentora e professora, eu te aconselho:
NÃO EDITE A MULHER QUE VOCÊ É na próxima semana.
Trabalhe, se quiser.
Descanse, se quiser.
Caia na folia, se quiser.
Misture um pouco dos 3, se quiser.
Essa é a sua vida e são as suas regras.
Não dê o poder para terceiros de opinarem na forma que você escolhe se divertir ou descansar ou trabalhar.
Nós, mulheres, precisamos PODER parar de editar quem nós somos - seja para a nossa família, para os nossos amigos, para os nossos clientes, para a nossa audiência.
Simplesmente porque não pode ser sucesso ficar editando quem você é, podando o seu jeito, cortando as suas asas.
“Mas, Mari, será que minha audiência vai continuar me vendo como autoridade?”
Maravilhosa, primeiro que você não é obrigada a mostrar a sua vida inteira na Internet.
Se você é de um nicho mega retrógrado (que, nesse momento, eu não consigo nem pensar em um) e isso realmente pode te prejudica, você não precisa mostrar poha nenhuma.
Dinheiro é importante e ninguém aqui precisar ser mártir de um ideal.
Mas, se você não vende coisas sei lá, para militares conservadores aposentados, parar de editar quem você é vai te levar para um outro nível com a sua audiência, uma conexão verdadeira, poderosa e DURADOURA.
Como planeta Terra, estamos longe de podermos ser quem a gente é em tudo quanto é lugar.
Mas, ser quem a gente é, tem também um impacto coletivo.
Eu acredito que qualquer micro avanço que conseguirmos dar como indivíduo, sendo uma mulher, também facilita o passo das próximas gerações.
Vamos continuar lutando para jogar fora a ferramenta de edição da nossa vida.
Enquanto lutamos internamente para nos autorizar a viver sem ela.
Agora, com licença, que vou ali pegar o meu drink e curtir os próximos sei lá quantos dias.
Na quarta-feira voltamos com Vênus, com reunião do time, com consultorias individuais da Luz que já está sem vaga até meados de março e com produto novo sobre como dar consultorias de 2k a 20k sem lançamento (sim, joguei essa e vou sair correndo).
Beijo com purpurina e glitter,
Mari.