Carta 164
Não trabalhe duro
E se trabalhar não precisar ser sinônimo de sofrer? Uma reflexão sobre o que é trabalho duro de verdade e por que você talvez já esteja trabalhando sem perceber — só de um jeito que ninguém te ensinou a chamar de trabalho.
BUENAS TARDES, MARAVILHOSA!
Hoje, o assunto que eu quero conversar com você é sobre trabalho duro, mas não esse trabalho duro que você tá pensando.
Simbora?
Pois muito que bem.
Essa é uma sensação que eu tenho ouvido e sentido de muitas empresárias com quem a gente trabalha aqui dentro do Fluida, e muitas vezes eu me pego nesse lugar, nesse espaço mental.
E hoje eu quero refletir sobre esse lugar com vocês e dividir meus pensamentos sobre como a gente poderia traduzir isso de um jeito diferente.
Existe uma coisa na minha cabeça, na nossa cabeça — e é óbvio que isso tem um pezinho ali no capitalismo — que é a sensação de poder desfrutar do trabalho duro, da recompensa por ter trabalhado duro.
O script é esse: a gente vai trabalhar duro, vai trabalhar muito e, no futuro, a gente vai ser recompensada por tudo isso que a gente fez. Eu não tô dizendo que isso é mentira, mas eu queria que a gente pensasse se essa é uma regra que faz sentido.
Esse trabalho duro… a gente tem que refletir sobre o que é esse trabalho duro.
O que é esse tal de trabalho duro?
Porque trabalho duro pode ser coisas diferentes e parece que tem que ser um trabalho desafiador.
Eu vou te dar um exemplo que aconteceu comigo essa semana…
Como vocês sabem, a gente vai fazer a Imersão de Planejamento este final de semana. Tem duas semanas que, todos os dias, eu fico passando e repassando o roteiro na minha cabeça em momentos aleatórios. Tipo, eu tô tomando banho e penso: “Nossa, e se naquele momento a gente fizer tal coisa?” “Ah, e se a gente acrescentar tal ferramenta?” “E se a gente…”.
Ou seja, tem duas semanas que todos os dias eu tô mentalmente pensando na imersão, pensando no que a gente vai entregar, pensando na sequência do conteúdo, na ordem do conteúdo, nas ferramentas, no que a gente vai fazer, por que a gente vai fazer.
E eu percebi, na semana passada, que eu tava me sentindo culpada de não estar dando atenção suficiente pra imersão.
Na minha cabeça, em algum momento, essa ideia se instalou de que eu deveria estar me esforçando mais, de que a imersão era um momento tão importante, tão incrível e de que eu não tava fazendo o meu máximo pela imersão.
Cara, tem duas semanas que eu só penso nisso. A grande coisa da minha cabeça é isso. Eu tô dirigindo e tô tendo ideias, tô nas reuniões com o time e tô falando sobre isso. Eu tô almoçando e tenho uma ideia.
Por que eu sinto que eu não tô dando o meu máximo? Por que eu sinto que eu não tô trabalhando duro?
Eu percebi duas coisas.
A primeira é que o trabalho tá muito linkado a sofrimento. Parece que trabalhar duro é sofrer. Trabalhar duro significa trabalhar difícil. Trabalhar duro significa fazer coisas que a gente não quer fazer. E, pior, trabalhar duro significa não fazer coisas que a gente quer fazer.
E eu percebi que eu estava trabalhando há dias na imersão, eu só não estava trabalhando com o esforço que me foi ensinado como sendo esse tal de trabalho duro.
Por que eu tô te trazendo isso hoje?
Porque eu quero te convidar a refletir se essa ideiazinha do trabalho duro não tá enfiada na sua cabeça também. Essa ideia do trabalho duro de que você tem que trabalhar duro e depois você vai poder viver. Que depois, em algum momento lá no futuro, você vai ter as recompensas de tudo isso que você abriu mão.
Perceba…
Eu não estou dizendo que você tem que ser inconsequente ou irresponsável. Não é sobre isso.
Por exemplo, o meu escritório fica a uns 20 passos da piscina. Eu posso sair do meu escritório, dar uns 50 passos e sentar na mesa, na beira da piscina, pra poder fazer o que eu quiser. Inclusive, trabalhar.
Durante quase um ano que a gente tá com esse escritório, eu devo ter feito isso uma ou duas vezes, no máximo. E sempre em momentos em que eu vou trabalhar numa coisa sozinha.
Eu nunca saí do escritório e andei 50 passos pra fazer uma reunião na beira da piscina.
Olha que loucura.
A piscina, que é o que eu tanto amo — água, sol, natureza, ar livre — está a 50 passos de mim. E eu nunca pensei em dar esses 50 passos, levar o meu computador pra lá e trabalhar de lá.
Por quê? Porque, se esses 50 passos estão disponíveis, eu posso me deslocar, eu posso fazer reunião da beira da piscina. Qualquer pessoa que trabalha comigo não vai achar estranho. Por que eu nunca fui?
Porque quem me impede de misturar, de colocar diversão e prazer dentro do meu trabalho não é o externo.
É o que o externo inculcou dentro da minha cabeça.
Na vida real, eu posso dar esses 50 passos. Na vida real, eu posso fazer reunião da beira da piscina.
Mas eu nunca fiz, porque, dentro de mim, eu acho que isso não é trabalho duro.
E a gente foi ensinada a trabalhar duro.
A gestão arcaica, a visão dos homens sobre negócios, nos ensinou isso. Que trabalhar duro é trabalhar sofrido.
Mas e se trabalhar não precisar ser duro?
E se as coisas mais incríveis que você gerar não forem fruto de sofrimento?
E se você pudesse se divertir e desfrutar enquanto você trabalha?
Eu sei que, à primeira vista, pode parecer uma ideia meio infantil, meio utópica. Mas desfrutar enquanto você trabalha pode simplesmente significar que você vai dar 50 passos e mudar o seu computador do escritório pra beira da piscina.
E se a senhorita pudesse viver enquanto você trabalha? Se você pudesse intercalar trabalho e diversão, trabalho e diversão, trabalho e desfrute, como se essas coisas não fossem dois pedaços completamente diferentes da sua vida? E se você pudesse olhar pro teu negócio como uma expressão daquelas coisas que você mais gosta?
Se você tá aí pensando “nossa, Mari, eu quero muito saber, eu quero muito fazer isso. O que eu tenho que fazer pra fazer isso?”. Eu tenho a resposta.
Nós, mulheres, a gente planeja, prevê, desenha e visualiza o trabalho duro. A gente enxerga lá longe a diversão e desenha o trabalho duro até a diversão.
Se você planejar a sua diversão e o seu desfrute lá no final da linha de chegada, é lá que você vai encontrar a diversão.
Então, qual é a chave pra gente? Qual é o primeiro passo que eu percebo pra nós, mulheres, pra gente mesclar o viver e o trabalhar?
É partir do pressuposto de que o viver não vem depois do trabalho.
Que trabalhar é viver.
Que viver é o trabalho.
Ou seja, se você continuar pensando que o que você vai fazer no teu negócio, na tua vida, no teu ano e no teu mês é trabalhar muito duro pra depois desfrutar, é exatamente isso que vai acontecer.
Mas por que você nunca fez diferente? Por que você nunca desenhou o teu negócio, a tua semana, o teu mês pra misturar essas coisas?
Porque ninguém nunca disse isso pra você.
Você não começa o planejamento da sua semana pensando quantos momentos de lazer colocar lá, você começa a sua semana pensando quantas reuniões de vendas você vai colocar.
Você não planeja a sua semana pensando quantos momentos de socialização com a sua família você vai inserir neste mês, você pensa quantas campanhas de vendas você vai fazer neste mês.
E se você pudesse fazer os dois?
E se você pudesse planejar as suas reuniões de venda a partir de quantos momentos de lazer você quer ter?
E se você pudesse desenhar o teu modelo de negócio em volta da quantidade de reuniões ou campanhas que você quer — ou que você não quer — ter?
Quem disse que não dá pra fazer?
Talvez quem disse que não dá pra fazer é quem tá muito interessado que você não viva enquanto você trabalha.
Então, o meu convite pra você hoje é que você mude a sua percepção.
Que você questione a forma como você vem planejando o teu negócio e a tua vida.
Se você nunca achou que isso era possível, você precisa começar com um plano.
Desenhe um ano onde você vai lucrar e desfrutar ao mesmo tempo.