Carta 121
Rebelde sem causa
Ser você mesma é o maior ativo do seu negócio — e a melhor notícia é que ninguém pode copiar o que é genuinamente seu. Uma reflexão sobre autenticidade, liberdade e o poder de ser exatamente quem você é.
Buenas tardes, maravilhosa!
Como a senhorita está nesse pós-carnaval?
Eu me encontro com o tanque da PF absolutamente carregado.
O tanque energético está cheio, porém o tanque corporal está só pela misericórdia.
Estou cheia de tópicos e reflexões que fiz nos últimos dias para compartilhar com você.
Mas hoje serei menos filosófica e vou te trazer um troço já bem direto e reto.
A melhor coisa que você pode fazer por você e pelo seu negócio é ser você mesma.
É engraçado como tenho colegas empresárias que viveram um dilema nesse período do carnaval pensando sobre o que iam ou não mostrar de si mesmas.
“Posto eu no bloquinho?”
“Essa fantasia não está muito pelada para ir nos stories?”
A forma como somos vistas é uma preocupação REAL e legítima para nós, mulheres.
Nós sabemos que tudo pode ser usado para nos descredibilizar.
E estamos certas em ter essa preocupação.
Porém, contudo, todavia, entretanto, às vezes esquecemos que, quando aceitamos as agruras de uma PJ, nós ganhamos de brinde algumas liberdades.
Por exemplo: não é estranho para vocês me verem de fantasia de dinossauro com uma latinha de Beats na mão.
Não é um choque, um espanto.
É só um “olha lá a Mari mais uma vez no carnaval”.
Mas por que para vocês não é um espanto?
Porque, desde que você me conhece, eu sou o que sou para você.
Uso memes de qualidade duvidosa.
Faço piadinhas não tão apropriadas.
Conto para vocês da minha comemoração de aniversário numa micareta como se jovem fosse.
Eu já construí a expectativa de quebrar padrões na sua cachola.
Então, não importa o que eu invente daqui para frente, eu já estou pré-autorizada por mim mesma a mostrar o que eu quiser para vocês.
Digo por mim mesma porque aprendi que essa autorização vem primeiro de nós.
Enquanto a gente não se autoriza, fica difícil sentir que os outros estão autorizando também. Apesar de que, na realidade, mesmo, não deveríamos precisar de autorização de senhor ninguém para fazer nada.
Mas é fato que sentimos necessidade dessa validação externa.
Queremos saber que não seremos apedrejadas.
Mas lembra das liberdades que vêm no combo que disse?
Então, talvez você não tenha sacado ainda, mas quando você é dona do seu CNPJ, salvo raríssimas exceções, o apedrejamento é inofensivo.
Se alguém achar que eu sou inteligente de menos porque me meto três dias em bloquinho com o celular enfiado numa doleira, isso impacta um total de ZERO reais no meu faturamento.
Essa pessoa me odiaria como mentora em primeiro lugar.
Ficaria chocada com as fofocas que converso com minhas mentoradas.
Acharia tudo de um “péssimo gosto”.
Ela JÁ NÃO SERIA minha cliente por muito tempo.
Eu não posso ser outra mentora para agradar senhor ninguém.
Simplesmente é IMPOSSÍVEL.
Ainda que eu quisesse ser mais girlboss elegantchy unha vermelha, não é essa pessoa que eu sou.
Eu sou inteligente para caralho.
Estudo que nem uma obcecada.
Aprendo absurdamente rápido.
E eu também ouço músicas de qualidade deplorável.
Saio com amigas para correr atrás de trio elétrico e choro e sofro às vezes junto com meu time.
Essa não sou eu?
Então, a coisa MAIS FÁCIL a se fazer é só seguir o curso da natureza mesmo.
Estou dizendo que é trivial? Não, estou dizendo que é o caminho mais fácil.
Mas antes de ser fácil, ele vai ser difícil.
Eu sempre tive uma tendência a ser contra o mainstream.
As mães me chamariam de rebelde sem causa.
Simplesmente é um traço meu.
Eu não tenho paciência para fazer o que todo mundo está fazendo.
Me dá preguiça ser uma cópia.
E tenho pavor de não ser intelectualmente desafiada no meu trabalho.
E por isso eu vou criar materiais novos toda hora, redefinir metodologias e criar coisas que ninguém está fazendo.
Eu sei que é clichezão dizer que o seu superpoder é ser você.
Mas vou ter que apelar para ele.
Não tem outra Mari.
Não tem outra mentora feminista, com uma puta bagagem em gestão, que já tenha transitado em negócios desde o mercado de startups, terceiro setor, setor privado…
Que nasceu numa família só de mulheres.
Que passou 10 anos trabalhando com educação tradicional antes de abrir uma escola de educação no digital.
Que ama ser tia e não quer ser mãe.
Que tem um relacionamento de mais de uma década com o Sr. Fluido.
Essa só tem eu mesma.
E é o que eu sou, o que eu vivi, as bagagens e perrengues que eu presenciei que são a matéria-prima do que é a Fluida.
Por isso a Fluida só tem a Fluida.
Por isso, quando você escreve “meu sonho é ser Fluida”, você tem certeza de que não há outro lugar onde você se encaixe tanto quanto aqui.
Por isso, mentoradas e alunas sabem exatamente o que vem depois da frase “Uma vez Fluida….”
Nós somos o que somos.
E somos boas para caralho exatamente por isso.
Porque não estamos tentando ser melhores que ninguém.
Diferentes de ninguém.
Parecidas com outrem.
A gente só segue sendo a gente mesma.
E é exatamente por isso que você interrompe dezenas de outras responsabilidades para simplesmente ler o que eu tenho para te falar.
Sou eu sendo eu.
Que você aprenda a ser você também.