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Carta 116

Borocoxô

O tesão sumiu? Não é falta de amor pelo trabalho — é seu cérebro cobrando a promessa que você fez a ele. A solução é simples: crie uma lista de prazeres fora do trabalho e cumpra.

Gestão de tempo

Buenas tardes, maravilhosa!

Como a senhorita chega nesta sexta-feira, dia 948 de janeiro?

Viveu um ano em 30 dias, tal qual foi aqui? Ou está chegando devagarzinho no seu ano ainda?

Estou há exatos 55 minutos falhando na missão de escrever a carta desta sexta.

Fui mirim.

Lembram que meu sobrinho voltou das férias?

E que sexta é meu dia de ficar com ele?

Pois muito que bem, cometi o erro de colocá-lo para dormir mais cedo.

O danado acordou junto comigo na hora de escrever a carta.

Já vi 98 animais no livro de animais marinhos que ele trouxe para colorir.

Aprendi, ou tentei pelo menos, os nomes de 48 Pokémons e suas evoluções.

Já ouvi 17 tipos de perguntas diferentes sobre animais marinhos que eu nem fazia ideia que existiam.

E já limpei duas melecas de nariz.

Meus parabéns às empresárias mães!

Mas vamos à carta de hoje.

Hoje eu quero falar sobre tesão.

Ou talvez, sobre a falta dele.

Tenho recebido uma quantidade crescente de empresárias que me dizem que estão cansadas.

O tesão pelo negócio sumiu.

Elas se veem meio que chupando picolé de chuchu.

Não é ruim.

Mas também não é bom.

Um gosto meio “bleh”, sem graça e sem tempero.

Como boa futucadora de B.O. que sou, começo a investigação.

A PRIMEIRA coisa que elas costumam me dizer é que gostariam de ter tempo além do trabalho.

Que trabalham o dia inteiro e queriam mais TEMPO.

Bom, começo com as perguntas clássicas.

Quando pergunto:

“O que você faz ao longo da semana?”

Geralmente, ela me conta 80 tipos de tarefas diferentes que executa cada dia. Sabe de cabeça o dia das reuniões com o time, lembra das interações com o financeiro, os dias que dá mentoria… tudinho ali na cabeça.

Aí começa o ponto curioso:

Quando elas me descrevem a rotina, a única coisa que tem é trabalho. Só e somente só.

Óbvio, é de se esperar que alguém que está me pedindo ajuda para ter tempo ALÉM do trabalho tenha uma semana atolada de trabalho.

Isso é óbvio. Mas um troço absurdamente óbvio, porém totalmente despercebido, é esse aqui:

Quando pego um caso desses, tem uma perguntinha que muda tudo.

Lá vem ela:

“O que você gostaria de fazer nesse tempo livre que você ainda não tem?”

A mulher, que tinha me respondido imediatamente tudo que fazia na semana sem titubear, fica sem palavras.

Ouço um “hummmm….”

Olhinhos virados para cima.

Mão no queixo.

Silêncio.

Alguns segundos depois, a resposta universal sempre vem:

“Mari… eu nem sei direito.”

Bingo.

As mulheres querem mais tempo.

Sentem que estão vivendo só para o trabalho.

Mas existe um buraco enorme nesse plano.

Elas sequer SABEM o que querem para além do trabalho.

E aí vamos entender se talvez a senhorita não esteja também nesse grupo.

Se eu te desse quatro horas por dia LIVRINHAS, sem porra nenhuma para fazer, como você ocuparia elas?

Pensa aí.

Se não saiu uma lista de pelo menos uns 10 trecos, então não vamos muito longe.

Mas o ponto relevante hoje aqui é:

POR QUE ISSO ACONTECE?

Por que desejamos tempo para viver, mas não sabemos o que vamos fazer com esse danado desse tempo?

Simples. É um fenômeno recorrente com empresárias que deram tudo de si para darem certo.

Acompanha comigo: quando abrimos o negócio, a gente está focada só em fazer esse troço dar certo. É pura fé.

Então temos que colocar todos os nossos recursos e energia nessa única coisa.

Rala a bunda aqui.

Quebra a cabeça ali.

E ano após ano vamos construindo a empresa.

Tem um dia que ela simplesmente funciona.

Ela faz dinheiro.

Você tem um pró-labore.

E ninguém te avisa que você pode soltar seus desejos antigos da prisão.

Você precisou, inteligentemente diga-se de passagem, POSTERGAR desejos para a empresa dar certo.

Só que você ficou tanto tempo assim que até esqueceu os coitados presos lá no porão.

Quando alguém te diz que você pode soltá-los…

Você não sabe nem onde está a chave.

Seu cérebro aceitou toda essa privação porque você prometeu para ele que, quando as coisas dessem certo, vocês iriam juntos realizar todos aqueles desejos trancafiados.

Ele acreditou, suportou meses de baixo faturamento, dias de ansiedade, noites de medo do caralho e permaneceu ao seu lado cada dia desse rolê.

Só que a correria em si já não é a mesma.

Os desafios já não são tão urgentes assim.

E ele percebe que a senhorita continua com os desejos trancafiados no porão.

Para ele, é uma puta traição.

“Pô, essa mulher me prometeu mundos e fundos se eu trabalhasse que nem um condenado, eu fiz tudo que ela queria… quando é que chega a recompensa?”

E uma traição para um cérebro feminino é um troço muito sério.

Como ele sozinho não consegue fazer muita coisa, decide entrar em um plano inteligentíssimo (estamos falando do cérebro feminino, né, gente? Não subestime um).

“Já que não consegui fazer essa mulher parar de trabalhar para desfrutar um tico,

Eu vou fazer o trabalho perder a graça para ela.”

O trabalho vai ficar tão xoxo, tão capenga, tão sem nenhum brilho que ela há de abandonar essa merda.

Não é falta de tesão no trabalho. É falta de poder desfrutar FORA dele.

Você não saturou do que passou oito anos construindo.

Seu cérebro só está em uma tentativa desesperada de fazer você cumprir a promessa que fez a ele lá no começo.

Quando essas empresárias chegam para mim, acham que vão precisar fechar o negócio e construir outro do zero.

Ou talvez mudar de profissão até.

A maior parte delas não precisa de nada disso.

Elas ainda amam o seu trabalho.

Só estão sendo sabotadas por um cérebro deveras inteligente.

A solução que tenho aplicado aqui e que tem funcionado é tão simples que chega a ser ridícula.

Eu crio uma lista de tarefas (sim, porque empresárias desenvolvem um vício compulsivo com elas) que tem um punhado considerável de coisas que NÃO SÃO TRABALHO.

É mais ou menos assim:

  • Bloquear um turno na agenda para o dia da anarquia (um dia em que ela é obrigada a só fazer coisas que não são do trabalho).
  • Listar 10 atividades que você acha que gostaria de fazer no seu tempo livre.
  • Visitar cinco academias/escolas que tenham aulas de hobbies e agendar uma aula experimental em cada uma.
  • Listar seis amigas que você ama encontrar e marcar um almoço por semana com cada uma.

E segue a lista, encharcada de “não trabalho”.

Até tomar sol eu já coloquei nessa listinha.

Para cada uma, eu crio um menu personalizado de prazeres e desejos.

Já obriguei a comprar brusinhas.

Agendar uma massagem.

Reservar diárias em um SPA.

✨ Em pouquíssimas semanas, a mágica acontece.

A empresária borocoxô que me encontrei semanas atrás retorna reluzente.

Geralmente, eu sei que funcionou por um traço muito característico:

IDEIAS NOVAS.

Sim, elas começam a inventar novas coisas para o negócio.

Missão cumprida.

Desejos desencarcerados.

Tesão restabelecido.

Um cérebro trabalhador agradecido pela promessa cumprida.

Se o seu tesão está só um filetinho quase apagando…

DÊ OUVIDO ao seu CÉREBRO.

Ou dê ouvidos a mim.

Faça a sua listinha dos prazeres.

E se obrigue a diligentemente cumpri-la.

Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·   Nenhuma mulher é livre sem dinheiro, nenhuma empresária é livre sem gestão   ·