Carta 002
Medo de posicionamento e a melhor bolha dessa internet
Me posicionei publicamente nas eleições e aconteceram as coisas mais horríveis — viralizei um reels, troquei mensagens aconchegantes e chegou mulherada nova. Se você ainda tá se sufocando com medo de se posicionar, essa carta é pra você.
BOA TARDE, MARAVILHOSA.
Na sexta passada nosso papo foi sobre política, posicionamento e eleições. Foi ALIVIANTE poder escrever aquele email tão franco para vocês.
De sábado em diante a minha produtividade e foco foram para as cucuias — eu só conseguia pensar no resultado das eleições. Acho que segurei bem outubro inteiro, mas esses últimos dois dias foram angustiantes.
MAS a angústia ACABOU.
VENCEMOS. Nós que acreditamos na Democracia. Vencemos nas urnas. Vencemos como país. Vencemos como mulheres.
Poder falar abertamente sobre o que acreditamos na Fluida foi aliviante para mim. Eu não saberia conduzir uma empresa escondendo coisas que são tão caras para mim.
A repercussão desse email e desse posicionamento me impressionou. Lê comigo o que aconteceu nos bastidores desde que mandei:
Recebi centenas de respostas de mulheres dizendo “que ALÍVIO ouvir isso de você”. Não sou só eu que me incomodo absurdamente com a alienação do nosso mercado.
Mas sabe o que é engraçado? Enquanto eu não falei explicitamente “ó esse mercado nosso é todo cagado”, ninguém tinha vindo conversar comigo sobre isso. Bastou eu falar que uma cacetada de mulheres veio me dizer “que alívio ouvir isso de você”.
Por que essa conversa nunca tinha aparecido nos meus directs? Por que nunca recebi uma pergunta “Mari, como você lida com a galera alienada do digital?”
O que me leva à conclusão que estamos incomodadas, nos sentimos sufocadas, mas estamos em SILÊNCIO.
Talvez essas perguntas nunca tenham aparecido porque você não achava que PODIA levantar essa bola. Ou ficou com medo de eu ter um posicionamento diferente do seu e você ser vista com julgamento por mim.
Mulherada, a gente precisa trabalhar isso juntas.
Temos medo de não sermos aceitas, de sermos criticadas, de sermos julgadas. Entre ser julgada e se sufocar, eu quero muito que você escolha a primeira opção.
Essas foram as horríveis consequências de me posicionar:
- Viralizamos um reels
- Troquei centenas de corações e mensagens aconchegantes no direct
- Visualizações dos stories triplicaram
- Chegou mulherada nova
Se posicionar é bom para os negócios sim, mas é melhor ainda para a alma. Eu posso ser eu, posso falar o que acredito, não tenho que escolher com cautela as palavras que vou usar.
E o melhor: afasto de imediato quem eu nem queria estar perto.
Sim, criamos uma bolha. Mas essa aqui eu tenho o maior orgulho do mundo de fazer parte.
Eu não tenho o menor interesse em fazer parte da bolha que pede intervenção militar ou mente para vender curso. São graus diferentes do mesmo conjunto de valores — e esses valores não só não me contemplam como diariamente desalinham os meus chacras.
Agora eu te pergunto: quem tem desalinhado seus chacras? Qual marketeiro ou guru te dá ranço só de pensar na cara?
Pensou?
Vamos ao chá de realidade: POR QUE VOCÊ AINDA ESTÁ CONSUMINDO ESSA GALERA?
É sério. Por que você os segue? Por que compra os cursos? Por que tenta aprender com eles?
Talvez porque você ache que é a única opção. NÃO É.
Eu já acreditei que TINHA que aprender com eles, afinal não tinha mais ninguém. Maior mentira do planeta. Você começa a consumir o conteúdo de um, aí esse um te indica um segundo, esse segundo posta sobre um terceiro — de repente você está cercada de referências que não têm nada a ver com você.
SAIA DESSA BOLHA E PROCURE UMA QUE TE CAIBA.
A nossa bolha é FEMINISTA.
O feminismo aqui dentro não é um mero detalhe, não é um diferencial, não é só uma “abordagem diferente”. É o que a gente respira todos os dias.
Nessa bolha estamos interessadas em colocar dinheiro (e direitos) na mão das mulheres. E a gente faz isso construindo negócios digitais que dão lucro.
Empreender é MEIO, não é fim.
Se é essa bolha que te interessa, mergulhe de cabeça nela.
Beijos,
Mari.